Sobre a Pipoca

O milho pipoca é um alimento bastante apreciado no Brasil. Entretanto, seu cultivo ainda se restringe a pequenas áreas, mas com boas perspectivas de expansão.Grande parte do milho pipoca encontrado no mercado ainda é importado. Isso se deve,principalmente, à limitação de cultivares de alta qualidade e à tecnologia de produção inadequada.Atualmente, o milho pipoca é plantado principalmente por pequenos produtores, com exceção de alguns poucos grandes produtores empresariais que utilizam a irrigação para ter o produto sempre em oferta, atendendo às demandas de cerealistas que empacotam e disponibilizam o produto no comércio. A área plantada com este tipo de milho varia, de ano para ano, em função da demanda de mercado futuro. Entretanto, vem crescendo a necessidade por informações a   respeito do cultivo deste tipo de milho, não só pela diversificação agrícola, mas também pelos bons preços ofertados ao produto pelo mercado.

Importância econômica

Devido à informalidade do mercado de milho pipoca, o acesso aos índices econômicos e mercadológicos é difícil. O estabelecimento de parâmetros econômicos é complicado porque existem poucos dados sobre área semeada, quantidade produzida, compradores de grãos e produtores de sementes. A expansão observada na década passada, quando a quantidade comercializada pela Ceasa-MG passou de 780.000 quilos para 1.435.000 quilos, 84% a mais, aponta boas perspetivas para o cultivo do milho pipoca. Informações mais recentes indicam locais de concentração de milho pipoca no Mato Grosso e em Goiás. Esses  registros de aumento de produção e de área plantada incentivam os produtores para o cultivo desse tipo de milho e ainda contribuem para a melhoria dos   indicadores econômicos dos milhos especiais que não são encontrados em órgãos oficiais. Tal conjuntura revela que existe um mercado em funcionamento que, apesar de estar sujeito à instabilidade, possui agentes que nele operam com bom conhecimento de suas demandas e ofertas em relação ao produto.

Capacidade de expansão

A principal característica do milho pipoca é a que faz com que seus pequenos e duríssimos grãos, quando submetidos a uma fonte qualquer de calor, tenham a capacidade de estourar, podendo multiplicar por até mais de 40 vezes o volume inicial dos grãos utilizados, originando um alimento saboroso. O Índice de Capacidade de Expansão (ICE) é uma relação entre o volume de pipoca estourada e o volume de grãos utilizados.  Testes feitos na Embrapa Milho e Sorgo apontaram 30 ml, medidos numa proveta de 50 ml, como o volume ideal de grãos utilizados para a avaliação do ICE. Os grãos são estourados numa pipoqueira elétrica, à temperatura de 237ºC mantida constante através de um termostato, e o volume de pipoca é medido numa proveta de 1000 ml. A importância em estimar o ICE está na existência de uma forte correlação positiva entre este índice e a qualidade da pipoca. Ou seja, quanto maior o ICE mais macia a pipoca e menor a quantidade de piruás (grãos que não conseguiram estourar).
O grão do milho pipoca é uma cariopse, composto de pericarpo, camada de aleurona, endosperma e embrião. Dessas, as partes mais importantes para o ICE são o pericarpo e o endosperma. O pericarpo é a película que reveste o grão. No fenômeno da expansão , o pericarpo tem papel fundamental, já que é da sua integridade que resulta a capacidade de suportar a incrível pressão interna de 135 psi, criada pela vaporização da umidade contida no endosperma. Danos no pericarpo, mesmo superficiais, têm o poder de fazer com que o grão suporte menor pressão, refletindo em reduções drásticas no ICE.
O endosperma é composto de duas partes: uma cristalina extremamente dura e outra em menor quantidade, opaca, de amido mole. Há uma forte correlação entre o ICE e a densidade do grão, que por sua vez é correlacionada com a quantidade de amido duro, isto é, quanto mais cristalino o grão, maior a sua capacidade de expandir. Os grânulos cristalinos de amido do endosperma têm formato poligonal, o que permite um arranjamento compacto, graças à uma matriz de proteína e numerosos corpos protéicos, de modo que não existam espaços vazios onde o ar possa passar.
Quando o grão é aquecido, a umidade em seu interior vai se transformando em vapor, que, contido pelo pericarpo, aumenta a pressão no interior do grão. Quando o pericarpo se rompe, a temperatura do grão é de 177ºC e a estrutura do endosperma está gelatinizada. O vapor d’água, no endosperma cristalino, não dispondo de espaços vazios para atravessar, tem que passar por um hilo no centro dos grânulos de amido que se expandem, formando um fino filme nas paredes da matriz protéica, que praticamente não se altera com a expansão. A matriz protéica apenas se estica e toma a forma de uma rede tridimensional.
Como se vê, a umidade dos grãos é o principal coadjuvante na expansão. Trabalhos mais antigos indicam 12% o teor ideal de umidade, onde ocorre a máxima expansão. Mais recentemente, alguns pesquisadores têm demonstrado uma faixa ideal, que está entre 10% e 15%, variando com a cultivar de milho pipoca utilizada. Valores fora deste intervalo tendem a proporcionar menor ICE devido à baixa pressão de vapor interna gerada ou à diminuição da resistência do pericarpo com rompimento antes de atingir a pressão ideal. Os fatores ambientais podem influenciar o ICE antes e/ou após a maturação fisiológica dos grãos, agindo nos fatores de formação e composição do endosperma ou mesmo na integridade do pericarpo.

Escolha da semente

A oferta de sementes de cultivares melhoradas de milho pipoca por certo não acompanhou a melhoria apresentada na qualidade da pipoca consumida no Brasil. Atualmente, existe disponibilidade das seguintes cultivares de milho pipoca no mercado de sementes: a variedade RS 20, de grãos tipo pérola amarelo alaranjado; os híbridos IAC 112 e IAC 125, de grãos tipo pérola, de cores laranja brilhante e laranja forte, e os híbridos Zélia e Jade, de cor amarela.
O Registro Nacional de Cultivares do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento evidencia que, além das cultivares citadas anteriormente, existem mais quatorze registradas, sendo sete registradas em nome da Yoki Alimentos S/A e outras sete em nome da Pipolino Indústria e Comércio Ltda. Das  onze cultivares registradas pela Yoki, as cultivares P 608, P 618, P 621, P 6025 e AP 4501  estão relacionadas pelo Zoneamento Agrícola para plantio no Rio Grande do Sul e no Mato Grosso, ao contrário das cultivares P 622, P 628, P 630, P 226 HT, AP 2501 e AP 22217 HT que ainda não foram relacionadas no Zoneamento Agrícola.
Uma boa cultivar de milho pipoca deve apresentar CE acima de 21 mL/mL. Valores acima de 26 mL/mL indicam excelente pipoca. Por exemplo: uma xícara de café cheia de milho pipoca, tem que produzir 26 xícaras de grãos estourados sem deixar os “piruas” (grãos que não estouram). Sugere-se ao produtor que se interessar pelo cultivo do milho pipoca, consultar as empresas de sementes sobre a disponibilidade do produto antes de fazer qualquer programação de plantio da cultura, principalmente se for com contrato de venda.

Época de plantio

A época de plantio de milho pipoca é a mesma do milho comum, ou seja, coincidente com o período chuvoso ou em épocas em que as condições climáticas permitam o cultivo irrigado. O estabelecimento da época de semeadura no período chuvoso prevalece para todas as regiões do Brasil onde se cultiva o milho pipoca, principalmente para as regiões Norte e Nordeste do país onde o regime de chuvas é bastante variável quanto à distribuição e à época do ano.
Quase tão importante quanto a época de semeadura para a produtividade é a época da colheita para a qualidade do milho pipoca. Como o ICE está intimamente ligado à integridade do pericarpo, a condição climática ideal é aquela em que não ocorram mais chuvas após a maturação fisiológica dos grãos. Chuvas nessa época fazem com que os grãos voltem a se hidratar e depois a secar, num processo que, à medida que se repete, enfraquece e provoca trincas no pericarpo. Este processo reduz o potencial genético de expansão.

Profundidade de plantio

Por se tratar de sementes bem menores, é preciso evitar solos mal preparados ou com muitos torrões. Além disso, a germinação e o crescimento inicial é geralmente mais lento do que o milho comum. Dessa forma, qualquer prática que facilite a emergência das plântulas, como um bom preparo do solo, temperatura e umidade adequada e um bom contato do solo com a semente é desejável. O plantio não deverá exceder 5 cm em solos mais leves ou arenosos ou 3 cm em solos pesados ou em regiões de clima mais frio. O aumento na profundidade de plantio poderá reduzir a percentagem de germinação.

Densidade de semeadura

O rendimento de grãos aumenta com a densidade de semeadura até atingir um valor máximo determinado pela cultivar e pelas condições ambientais. Após este ponto (que é a densidade ótima), o aumento na densidade de plantio promoverá uma redução no rendimento de grãos, uma vez que o provável aumento no número de espigas resultantes do aumento do número de plantas não compensa a redução no tamanho das espigas provocado pela competição entre as plantas. O aumento na densidade de plantas promove uma redução no tamanho médio da espiga, no peso final e no número de espigas por planta, além de aumentar a percentagem de quebramento e de  acamamento, embora, aparentemente, não tem grande efeito na capacidade de expansão da  densidade.
A densidade de plantio é afetada basicamente pelos seguintes fatores: cultivar, nível de fertilidade do solo e disponibilidade hídrica. Normalmente, cultivares mais precoces e de menor porte apresentam melhor produtividade em densidades maiores quando comparado com cultivares de maior porte ou ciclo mais tardio. Como as plantas de milho pipoca são geralmente mais delicadas que o milho comum, com menor altura, colmo mais fino, menor número de folhas e quase sempre mais prolíficas, devem ser plantadas em densidades maiores que o milho comum.
Nos solos com maior fertilidade natural e/ou lavouras bem adubadas, a densidade de plantio deverá ser maior do que em solos de baixa fertilidade natural ou lavouras não adubadas. Com melhor suprimento de água deve-se usar também maior densidade de plantio do que em condições de baixa disponibilidade hídrica. Baseando-se em resultados de pesquisas, têm sido recomendadas densidades de plantio de milho pipoca variando de 55.000 a 70.000 plantas por hectare. O aumento do estande além desta recomendação, aumenta a suscetibilidade ao acamamento e ao quebramento das plantas.

Espaçamento

O espaçamento é uma caraterística que influencia no rendimento e na qualidade do milho pipoca, principalmente no tocante ao teor de proteínas. Normalmente, se usa espaçamentos de 70 cm a 80 cm entrelinhas, sendo utilizado com maior frequência o   de 70 cm. Existe uma tendência de redução do espaçamento entrelinhas, chegando  a até 50 cm. Os espaçamentos reduzidos têm proporcionado melhores rendimentos de grãos, especialmente em densidades mais elevadas. A densidade de plantio é expressa pelo número de plantas por área, o que pode ser obtido variando o espaçamento dentro das fileiras, ou seja, a distância entre as sementes na linha de plantio.
A tendência de uso de espaçamentos reduzidos no milho pipoca  também é uma realidade demonstrada por recentes trabalhos de pesquisa que evidenciaram aumento de produtividade de grãos. Este fato é proporcionado por uma melhor distribuição das plantas na área, aumentando a eficiência na utilização da luz solar, água e nutrientes; melhorando o controle de plantas daninhas em função do fechamento mais rápido dos espaços disponíveis; e reduzindo a erosão pela cobertura mais rápida do solo.

Adubação

A adubação deverá levar em consideração os resultados da análise do solo e o potencial produtivo do milho pipoca que geralmente é menor do que o milho normal.Manejo da Irrigação
Considerando-se a irrigação como um complemento tecnológico para a obtenção de altas produtividades, o produtor, após a implantação da cultura do milho pipoca, necessita ser orientado para obter o máximo rendimento e a melhor qualidade do produto. Essa orientação técnica em manejo de irrigação significa estabelecer lâminas de água a serem aplicadas bem como o momento certo de aplicação. A fase mais crítica à deficiência de água na cultura do milho pipoca é a do florescimento, chegando a ter perdas de até 50% de rendimento de grãos. No desenvolvimento vegetativo e enchimento de grãos, as perdas são menores.
Com a possibilidade da irrigação, um dos fatores que se pode levar em consideração é o atraso na semeadura para fazer com que a maturação e a colheita dos grãos ocorram num período mais seco ou menos chuvoso, para privilegiar a qualidade da pipoca.

Manejo de plantas daninhas

A lavoura de milho pipoca deve permanecer no limpo entre 40 e 50 dias após a emergência para que a interferência das plantas invasoras não prejudique o rendimento de grãos, cujo potencial genético não é tão elevado quanto o do milho comum. Existe no mercado uma série de herbicidas que podem ser utilizados no milho pipoca com ótimos índices de controle da planta invasora. Mas é preciso ter cuidado com alguns grupos de herbicidas que podem não ser os mais recomendados para milho pipoca. Para isto, é preciso da ajuda de especialista no manejo das plantas daninhas no momento de comprar o herbicida, pois há diversas opções no mercado.
A planta do milho pipoca é frágil e o uso de um produto inadequado pode causar danos irreparáveis à lavoura. Se o controle do mato não for feito na época certa, ou seja, até aos 40 dias pelo menos, a perda da produção de grãos pode ser considerável. Há registro de perdas acima de 80% da produção, quando a população de mato é alta.

Controle de pragas

Basicamente, as pragas são as mesmas que atacam o milho para a produção de grãos, assim como as medidas de controle. No caso do milho pipoca, sempre que possível, deverá ser evitado o controle químico, dando preferência ao controle biológico ou cultural, como a rotação e a sucessão de culturas, espaçamentos e época de plantio.
O controle biológico é uma das alternativas para substituir ou reduzir o uso de produtos químicos quando se pretende obter produtos mais saudáveis e, consequentemente, um ambiente mais limpo. Na cultura do minimilho, por exemplo, o maior avanço em controle biológico diz respeito ao controle das lagartas-do-cartucho e da espiga. Como exemplo de controle biológico, tem-se a liberação das vespinhas que depositam seus ovos no interior dos ovos da lagarta, tornando-os inativos. Essas vespinhas (para uso em controle biológico) já existem em escala comercial de produção. Sugere-se que ,quando do uso dos químicos, utilizar sempre os menos agressivos ao homem, ao meio ambiente e aos insetos que ajudam no controle das lagartas. De qualquer forma, é bom que o produtor, quando tiver problema com ataques de pragas na sua lavoura de milho pipoca, procure um técnico, de preferência que seja especializado no controle de insetos-pragas para auxiliá-lo nas tomadas de decisões.

Controle biológico

A exemplo do milho comum, o controle biológico pode também ser utilizado no milho pipoca, pois as pragas são as mesmas. O uso do controle biológico tem surtido bons resultados no controle da lagarta-do-cartucho (Spodoptera frugiperda), que ataca tanto o milho comum quanto o milho pipoca. Existem nas lavouras de milho alguns insetos que são inimigos naturais da lagarta-do-cartucho, como, por exemplo, a tesourinha (Doru luteipes), que se alimenta dos ovos e de lagartas jovens. Em ocasiões em que há milho no campo o ano todo, a tesourinha está presente.
Outro método de controle biológico eficaz é o Baculovírus, que  pode levar a altas taxas de mortalidade das lagartas (acima de 80%) quando o produto for aplicado em lagartas de, no máximo, 1,5 cm. Já existe no mercado alguns laboratórios produzindo Baculovírus na forma comercial em embalagens contendo 2,5 x 1.011 poliedros de vírus, suficiente para aplicação em 1 ha  de milho.
Existe ainda o controle biológico com o Trichogramma, que parasita os ovos da lagarta-do-cartucho, evitando, assim, o nascimento de novas lagartinhas. A liberação do Trichogramma no campo deve ser sincronizada com o aparecimento dos primeiros ovos e/ou adultos da praga para maior eficácia de controle. O produtor deve consultar um técnico especialista em controle biológico para maiores esclarecimentos.

Controle de doenças

Dentre as principais doenças que atacam a cultura do milho, a helmintosporiose (Exserohilum turcicum), a ferrugem comum (Puccinia sorghi), a ferrugem polissora (Puccinia polysora), os enfezamentos e as podridões de espiga merecem destaque. A incidência e a severidade dessas doenças dependem de fatores ambientais, culturas anteriores, sistema de produção, incidência de insetos vetores e susceptibilidade dos genótipos.
Medidas de controle, como o uso de cultivares resistentes, rotação de culturas, época de plantio, espaçamento e densidades adequados, época de colheita e controle químico são recomendadas para o controle de doenças na cultura do milho.

Colheita

O milho pipoca atinge sua maturação fisiológica em um período de, aproximadamente, 100 a 110 dias após o plantio, quando se inicia a secagem da palha que recobre a espiga. A partir desse ponto, o produtor deve acompanhar diariamente a umidade dos grãos para determinação do ponto de colheita, que é feita quando os grãos estiverem entre 16% e 17% de umidade.
A colheita manual é indicada em áreas pequenas ou nos seguintes casos: em lavouras com alta porcentagem de plantas acamadas e quebradas e quando há excesso de chuva na época da colheita, impedindo a colheita mecânica e causando alta incidência de podridão dos grãos. Nesse tipo de colheita, é conveniente proceder à seleção de espigas antes da debulha, separando as doentes e as atacadas por pragas. A colheita mecânica deve ser feita com colheitadeiras tipo axial, utilizando velocidade e regulagem que proporcionem menor dano aos grãos (velocidade e rotação mínima da colheitadeira).
Mesmos que os grãos não apresentem danos visíveis, a colheita mecânica pode causar perda de 10% a 20% na capacidade de expansão. Antes de utilizar a combinada deve-se proceder à uma boa limpeza para evitar mistura mecânica com milho ou outros tipos de grãos. Manter a cultura livre de plantas daninhas para obtenção de um produto limpo e sem a presença de sementes silvestres.

Secagem

Processos de secagem rápida com altas temperaturas causam trincamento do endosperma, prejudicando sua qualidade e a capacidade de expansão da pipoca. Recomenda-se processos de secagem lenta, utilizando baixa temperatura ao redor de 35°C. Em locais de baixa umidade relativa, podem ser utilizados processos que envolvam apenas ventilação. Os grãos colhidos com umidade menor que 17% podem ser armazenados em silos aerados até atingir a umidade de 14%. Em seguida, deve-se armazená-los à sombra em local bem ventilado até completar a umidade que proporciona o máximo de qualidade da pipoca, ou seja entre 12,5% e 13,5%.
É bom salientar que  cada cultivar tem uma umidade adequada para proporcionar uma boa qualidade de pipoca e, consequentemente, uma alta capacidade de expansão

Limpeza e classificação

Para a comercialização, é fundamental que o produto tenha boa aparência e alta capacidade de expansão. A qualidade visual é dada pela limpeza e brilho dos grãos, ausência de danos mecânicos, ausência de grãos ardidos ou atacados por pragas dos grãos armazenados e livres de impurezas.
A uniformidade no tamanho dos grãos é um aspecto que também contribui para aumentar a capacidade de expansão.
O grão de milho é formado pelo embrião, pelo endocarpo e  pelo pericarpo, além de compostos, principalmente de amido e água. Com o aquecimento do grão, a água no seu interior se transforma em vapor, se expande e aumenta a pressão interna, ao ponto do pericarpo (película que reveste o grão) não suportar a pressão e ocorrer uma explosão, formando os flocos. Em contato com o ar, o amido se solidifica e se transforma numa espécie de espuma branca, que é a pipoca.
Os flocos se originam da parte vítrea, dura, do endosperma, uma vez que os grãos de amido, a parte farinácea, não explodem. Mas os grãos de amido são importantes na capacidade de expansão da pipoca. Isso porque mesmo após vários anos de melhoramento genético, as melhores cultivares de milho pipoca ainda conservam uma parte de endosperma farináceo. A formação de grandes flocos ocorre somente no grão de pipoca (e não no milho comum) porque é no grão de pipoca que se encontra a proporção certa de endosperma vítreo e farináceo. E também porque o pericarpo do grão de pipoca é resistente o suficiente para suportar uma grande pressão interna e até que se acumule uma quantidade de força capaz de romper bruscamente e expandir a parte translúcida do endosperma.
Os principais fatores que controlam a expansão do grão de pipoca são a proporção certa de endosperma vítreo e farináceo, o  teor de umidade do grão e a integridade do pericarpo. Portanto, quando o pericarpo tem trincas ou é muito macio, o vapor d’água escapa, a pressão no interior do grão não aumenta e a pipoca não se forma. Neste momento, surge o piruá. Outro motivo para a pipoca não estourar é quando o grão tem  uma quantidade de água a mais ou a menos em sua composição.
O milho pipoca deve ser colhido manualmente e secado lentamente para evitar trincas no pericarpo. Recomenda-se colher o grão de pipoca com o teor de umidade em torno de 14% a 18% e secá-lo entre 13% e 14%. No entanto, deve-se ter o cuidado para não secá-lo demasiadamente, pois abaixo de 13% de teor de umidade o grão não estoura bem e precisa ser reidratado antes de ser estourado.

Prevenção e controle de carunchos

O milho pipoca, apesar de ser um grão do tipo muito duro, é altamente susceptível ao ataque de insetos como o caruncho e a traça durante o armazenamento. Esses insetos perfuram os grãos, danificando o pericarpo, e podem reduzir a capacidade de expansão em até 72%, depreciando totalmente a qualidade da pipoca. Os insetos mais importantes para o milho pipoca são:
a) Carunchos ou gorgulhos (Sitophilus zeamais e S. oryzae)Esses insetos são besouros negros ou marrom-escuros, medindo de 3  mm a 5 mm de comprimento e com o rosto (bico) projetando-se da cabeça. Suas mandíbulas são muito fortes, capazes de perfurar o grão e danificar o pericarpo. A fêmea perfura um orifício e deposita os ovos. Esses ovos, após quatro dias, transformam-se em larvas que  alimentam-se internamente no grão e se transformam em insetos adultos em 35 dias.
b)Traça-dos-cereais (Sitotroga cerealella)
A traça-dos-cereais é uma borboletinha de cor amarelo-clara, medindo de 5 mm a 7 mm de comprimento. O macho e a fêmea morrem com 8 a 12 dias de vida, pois não se alimentam de grãos. Porém, nesses poucos dias, a fêmea põe até 400 ovos que ficam aderidos aos grãos. Dos ovos, nascem pequenas larvas que penetram nos grãos, destruindo-os. Antes de se transformar em pupa, a larva perfura um orifício circular com 1,5 mm de diâmetro, para que a forma adulta da mariposa possa romper a película do pericarpo e sair do grão. Em condições semelhantes às mencionadas para o caruncho do milho, o seu ciclo biológico pode se completar em 35 dias.
Os insetos danificam os grãos, mas atenção especial deve ser dedicada à prevenção e  ao controle dos insetos para que não haja contaminação dos grãos com resíduos de agrotóxicos. Para pequenas quantidades de grãos armazenados para o consumo da própria família, recomenda-se que os grãos de pipoca sejam acondicionados em garrafas do tipo “pet” de 2 litros, utilizando-se tantas garrafas quanto forem necessárias para estocar todo os grãos. Depois de bem fechadas, devem ser submetidas à temperatura de congelamento (-10ºC) por um período de 72 horas. A exposição a esta temperatura por este período de tempo é suficiente para eliminar todos os insetos, seja nas formas jovem ou adulta, sem afetar a capacidade de expansão do grão de pipoca. Pode-se utilizar o compartimento do congelador de uma geladeira comum ou de freezer doméstico para colocar duas ou três garrafas.


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