Produtores começam a colheita das safras de milho e soja nos EUA

Os produtores americanos de soja e milho começaram a colher a safra deste ano, que deve ser recorde. O Globo Rural percorreu lavouras de uma das regiões que mais produzem os grãos e mostra os reflexos da super produção no bolso dos agricultores.

Iowa, onde 64% dos moradores vivem nas áreas rurais, é uma potência econômica. O estado responde por 17% da produção de milho dos EUA, que este ano deve ser recorde e passar das 365 milhões de toneladas – 3,4% a mais que na safra anterior.

A produtividade das lavouras também impressiona. Segundo o departamento de agricultura norte-americano, os agricultores vão colher mais de 181 sacas por hectare, contra 177 na última colheita.

A qualidade da safra também está melhor. Até agora, cerca de 74% dos grãos são considerados de boa ou excelente qualidade. No ano passado, eram apenas 53%. “A produção será excepcional. Atribuímos esse resultado aos bons solos que temos no Iowa. Além disso, tivemos muita chuva em junho e calor nos últimos meses. Um clima perfeito”, explica o diretor da Iowa Corn Association Rodney Williamson.

Com tanto milho no mercado, o preço despencou. A saca está sendo vendida pelo equivalente a R$ 18,20, 23% a menos que no mesmo período do ano passado.

A maior parte dos produtores divide a lavoura entre soja e milho. Na fazenda de Roger Zylstra, que fica em Lynnville, ele plantou quase 300 hectares com os grãos. O agricultor vendeu 60% do que vai colher da soja no começo do ano, antes dos preços caírem, mas não conseguiu fazer o mesmo com o milho. Ele está pensando em armazenar 90% da produção, que deve atingir 30 mil sacas.

“Recebi uma proposta essa manhã. O comprador me ofereceu o que ele considerava ser um preço bom, mas achei que ainda era muito baixo e disse que não venderia por esse valor”, comenta Roger.

O preço oferecido foi um pouco mais de R$ 17 pela saca. “É muito preocupante porque, com o milho, estamos abaixo do custo de produção nesta altura da colheita. Teremos que fazer grandes ajustes no ano que vem para que seja um ano lucrativo”, diz o agricultor.

Bem perto da fazenda de Roger, o agricultor Rolland Schnell vive uma situação semelhante.  “A lavoura rendeu, mas este ano vai ser duro por causa do preço, que esta quase metade do ano passado”, fala.

Essa semana, a saca de soja chegou ao equivalente a R$ 48,50, o preço mais baixo desde 2010. Um dos principais motivos dessa queda brusca é a safra recorde dos EUA, que este ano deve ser 19% maior do que em 2013. A expectativa é colher 106,5 milhões de toneladas do grão, contra 89,5 milhões da safra passada.

“Chegamos a um ponto em que tanto a América do Norte quanto a América do Sul tem tido colheitas recordes, superando a demanda. Agora precisamos que a demanda aumente ou a produção diminua. Em geral é um bom ano, mas com muitos desafios”, conclui o diretor da Iowa Soybean Association Grant Kimberley.

No noroeste do estado a paisagem não muda muito. Em Cleghorn, o agricultor Bruce Rohwer vendeu a soja antecipadamente para garantir pelo menos o custo de produção. Já o milho vai virar comida para a criação de porcos, já que o preço dos animais está em alta no mercado. “A baixa nos preços não me afetou muito, mas quem não tem tantos animais segue outras estratégias.”

Já o agricultor Tom Oswald vendeu antes da colheita 30% da produção de soja. O restante ele vai guardar nos armazéns da fazenda. “Esta é uma das grandes diferenças entre os Estados Unidos e o Brasil. Temos uma capacidade enorme de guardar a safra, seja pagando para armazená-la ou usando os depósitos que a maioria dos produtores tem na própria fazenda. A maior parte desta safra não será vendida. Vou guardar até achar que o preço está justo, ou é hora de vender, por alguma outra razão”, fala.

Mercado da soja
O analista de mercado Antônio Sartori explica como a safra americana mexe com a vida dos agricultores brasileiros. Segundo ele, a safra americana já repercutir de maneira direta para o brasileiro. “Os preços dolarizados para o produtor são bem mais baixos do que foram na safra passada, que foi comercializada ao redor de US$ 30 por saco. Hoje, está ao redor de US$ 20 por saco. É uma diferença muito grande”.

Para Sartori, quem ganha com o excesso de grãos é quem produz carnes de frango, de suíno, que usam muito farelo de soja e os importadores. “Principalmente a China, que deve importar um valor bem maior do que importou no ano passado”.

 

Fonte: Globo Rural







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