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A
elevação da tarifa de importação do trigo americano de 10% para 30%pelo Brasil,
uma resposta do governo brasileiro no caso dos subsídios dos EUA ao algodão,
pode ter impacto positivo nos preços dos produtos derivados, como pão, massas,
além de ser altista para os mercados do cereal no Mercosul, segundo a
Associação Brasileira da Indústria do Trigo (Abitrigo) e um corretor.
De acordo com a entidade, caso o Brasil se veja obrigado a importar o produto
dos EUA - algo pouco provável, pois a tarifa levaria os compradores para outros
mercados -, os preços dos derivados subiriam especialmente no Norte e Nordeste,
uma região que tradicionalmente compra o produto americano.
"Uma das fontes de suprimento preferidas são os Estados Unidos, por
motivos de preço, qualidade e sobretudo proximidade do mercado consumidor, no
caso, particularmente os moinhos do Nordeste", afirmou a Abitrigo,
lembrando que a alta de preços ocorreria em um regiões com renda mais baixa em
relação a outras partes do País.
O Brasil, que costuma importar mais da metade de seu consumo anual de 10
milhões de t, poderá ter que recorrer ao produto no hemisfério norte este ano,
pois a Argentina, tradicional exportador ao Brasil, não teria oferta
suficiente, segundo fontes do mercado.
Os importadores do Brasil, que ainda teriam opção de comprar o produto com
alíquota de 10% de outros exportadores, como o Canadá, também trabalham com uma
oferta interna mais reduzida este ano, após uma safra frustrante em 2009 no
Brasil, marcada por problemas de qualidade.
"Tendo em vista a insuficiência da produção de trigo no Brasil para
atender ao consumo e a recorrente incerteza no que diz respeito ao fornecimento
do trigo argentino, os moinhos brasileiros são obrigados a importar trigo para
atender à demanda interna", disse a Abitrigo.
"Acho que isso é altista para o trigo (do Mercosul), claro. Tem pouco
volume de trigo, vai manter a Argentina acima, e os moinhos estão preocupados,
talvez tenham que acelerar as compras", afirmou um corretor de São Paulo,
lembrando que os produtores argentinos são obrigados a trabalhar com cotas de
exportação, uma vez que o governo do país vizinho visa preservar a oferta
interna.
O aumento da taxa, que vale para outros produtos, entra em vigar em 30 dias
após a publicação, a não ser que o Brasil e os EUA entrem em acordo para evitar
a retaliação aprovada pela Organização Mundial de Comércio (OMC).
Segundo o corretor, o mercado já previa o aumento da tarifa, e por isso não
houve grandes mudanças nos preços do trigo nesta segunda-feira.
De qualquer forma, antevendo problemas para comprar nos EUA, um grupo de
moinhos viajou ao Canadá, nesta semana, com o objetivo de estabelecer contatos
com a CWB, que domina as vendas de trigo do Canadá, um país que também costuma
aparecer como eventual fornecedor do Brasil em períodos de baixa produção no
Mercosul.
"Terá que vir trigo de outras origens, acredito que virá do Mar Negro e do
Canadá. Tem trigo polonês, trigo russo e trigo canadense", afirmou o
corretor, observando que a medida, se efetivada, vai inviabilizar compras nos
EUA.
Estadão
Terra
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